2. Se
Rudyard Kipling
SE ÉS CAPAZ de manter tua calma, quando,
Todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti, quando estão todos duvidando,
E para esses, no entanto achar uma desculpa.
SE ÉS CAPAZ de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado,
Não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado,
Sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso.
SE ÉS CAPAZ de pensar - sem que a isso só te atires,
De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
Tratar da mesma forma a esses dois impostores.
SE ÉS CAPAZ de sofrer a dor de ver mudadas,
Em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
Refazê-las com o bem, pouco que te reste.
SE ÉS CAPAZ de arriscar numa única parada,
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder.
E ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida.
SE ÉS CAPAZ de forçar coração, nervos, músculos, tudo,
A dar seja o que for que neles ainda existe.
E a resistir assim quando,
Exausto, contudo,
Resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
SE ÉS CAPAZ de entre a plebe, não te corromperes,
E, entre Reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade.
SE ÉS CAPAZ de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
E- o que ainda é muito mais –
TU ÉS UM HOMEM, MEU FILHO!
Evilasio de Sousa
Salvador 2005
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