sexta-feira, 20 de julho de 2012

2. SE - Rudyard Kipling


2. Se
 
Rudyard Kipling

SE ÉS CAPAZ
 de manter tua calma, quando,
Todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti, quando estão todos duvidando,
E para esses, no entanto achar uma desculpa.

SE ÉS CAPAZ
 de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, 



Não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado,


Sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso.

SE ÉS CAPAZ de pensar - sem que a isso só te atires,
De sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.


Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
Tratar da mesma forma a esses dois impostores.


SE ÉS CAPAZ de sofrer a dor de ver mudadas,
Em armadilhas as verdades que disseste


E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
Refazê-las com o bem, pouco que te reste.

SE ÉS CAPAZ
 de arriscar numa única parada,
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.


E perder. 



E ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida.


SE ÉS CAPAZ  de forçar coração, nervos, músculos, tudo,


A dar seja o que for que neles ainda existe.
E a resistir assim quando, 

Exausto, contudo,

Resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!


SE ÉS CAPAZ de entre a plebe, não te corromperes,
E, entre Reis, não perder a naturalidade,

E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,


Se a todos podes ser de alguma utilidade
.

SE ÉS CAPAZ de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.


Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
E- o que ainda é muito mais –


TU ÉS UM HOMEM, MEU FILHO! 

Evilasio de Sousa
Salvador 2005



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